Quem Conta um Conto...

Quem Conta um Conto...

Olá, Amigos!

Tudo bem com vocês?

É sempre uma grande alegria escrever-lhes! 

Eu sei, é bem verdade, que já devia estar acostumado... Mas infelizmente não consigo ficar indiferente à situação do nosso País, no que se refere à formação dos nossos jovens, ao nível de conhecimento das pessoas da nossa sociedade em geral. 

Como uma voz que clama no deserto, rebelo-me há anos contra a infestação de novelas na TV brasileira, as quais se espalham por diversas emissoras e horários, tomando quase toda a programação do dia, formando uma nação de alienados, uma nação de semianalfabetos (ou de analfabetos funcionais), criando uma geração de não-leitores, matando um pouquinho por dia o futuro do nosso país.

Outro dia, por acaso, trocando de um canal para outro, vi por alguns minutos um programa de perguntas, no qual a pessoa ganhava uma quantia cada vez maior de dinheiro, a cada resposta certa que desse. Aí, o apresentador falou assim: "agora chegou a fase das perguntas mais difíceis!" 

Eu pensei que viesse algo sobre física quântica, ou sobre literatura russa, ou sobre filosofia grega antiga... sei lá, algo assim! Mas eis que surgiu o seguinte questionamento: "qual é o antônimo da palavra improbidade?"

Atentem para o fato de que não era uma pergunta aberta! Havia alternativas de resposta, meus amigos! Sim! Entre elas, lá estava a palavra "integridade". As outras três opções eram bem absurdas. 

Para meu espanto completo, o rapaz que estava participando não soube dizer o antônimo de improbidade. Preferiu desistir do programa e abriu mão de arriscar uma resposta errada... Ele tinha nível superior e era empresário. 

Noutra ocasião, de férias com a família, estávamos no morro da Urca, na fila do bondinho para subir ao Pão de Açúcar. E minha filha de 11 anos formulou esta pergunta ao rapaz que controlava o acesso dos visitantes: "Moço, você saberia dizer uma estimativa da altura deste morro?"  Ao que ele respondeu: "Este que nós estamos tem 400 metros. O outro ali do lado (referindo-se ao Pão de Açúcar) tem 710 metros, ou seja, mais que o dobro deste aqui!"

Ouvi aquela resposta meio atônito... Percebi que  Aninha olhava para mim, assim com os olhos meio arregalados... Até ela, que do alto dos seus 11 anos recém-completados já sabia empregar a palavra "estimativa" com total propriedade num diálogo, percebeu na hora que aquele jovem não sabia fazer uma conta de multiplicar por dois...

Voltando às minhas palavras do início deste artigo, eu realmente já deveria estar acostumado a esse tipo de coisa, de tão corriqueira que se tornou. Mas simplesmente não consigo. Tenho vergonha. Fico entristecido. Somos um país tão belo e, ao mesmo tempo, tão maltratado! O que escoa pelos ralos da corrupção, milhões e milhões de reais por ano, bilhões talvez, poderia ser investido numa educação de qualidade. 

Confesso-lhes, meus amigos, que sempre choro quando vejo reportagens na TV revelando o descaso com que a educação é tratada no Brasil. Da escola infantil às universidades, tudo jogado às traças. 

E ninguém faz nada. 

De minha parte, vou deixar para vocês ao menos um conselho: leiam! 

Mas, professor, eu já leio todos os dias...

Não estou me referindo aos materiais de estudo, os livros ou PDFs de Direito ou de outras disciplinas. Estou falando em literatura. Ou mesmo livros de contos, alguns dos quais maravilhosos, como os de autoria de Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Luís Fernando Veríssimo, José J. Veiga, Rachel de Queiroz, Lima Barreto, Guimarães Rosa, Moreira Campos, Rubem Fonseca, Álvares de Azevedo, José Cândido de Carvalho, só para citar alguns autores brasileiros. 

Entre contistas estrangeiros consagrados, há excelentes deles, como Anton Tchekov, Guy de Maupassant, Ernest Hemingway, Oscar Wild, entre outros vários.

Há mais de trinta anos que sou um grande fã deste magnífico gênero literário! Comecei a gostar de contos muito cedo! 

Ora, um dia inteiro tem exatos 1440 minutos. Um por cento disso dá 14,4 minutos, ou seja, 14 minutos e 24 segundos.

Se vocês dedicarem 1% do seu dia a ler um conto de qualquer destes autores que citei, ou de outros que sejam, tenham certeza de que estarão fazendo algo de muitíssimo valioso para si. (Sobretudo considerando-se que as provas discursivas estão em quase todos os concursos, atualmente!)

Além disso, não correrão jamais o risco de estar numa sala repleta de pessoas e, dirigindo-se a todos os presentes, dizerem assim: "Desejo boa sorte a ambos!" (E ainda sair com um sorriso, achando que falou bonito...)

Como é que é, professor?

Pois é! Esta eu também presenciei. Eu era um dos que estavam na sala, aguardando uma entrevista de estágio, na época da faculdade de engenharia. A autora desta "pérola" era uma funcionária da empresa, nem tão jovem assim, responsável por recepcionar os futuros estagiários. Lá se vão mais de vinte anos deste fato, mas ainda ficou aqui guardado na minha memória...

Enfim, meus amigos! Tornem-se próximos dos contos! Deem esse presente a si mesmos!

Mudar um país é muito difícil. Melhor começar por nós próprios! Isso me faz lembrar de uma frase atribuída a Gandhi: "se você quer um milagre, seja um milagre!"

Estamos juntos!

Um forte abraço a todos!

E fiquem com Deus!

Sérgio

olaamigos@gmail.com